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Estudo propõe termos mais simples para reclassificar obesidade

Estudo propõe termos mais simples para reclassificar obesidade

Um estudo conduzido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP) propõe um novo tipo de classificação para a obesidade. Com uma terminologia mais simples, o foco não é substituir as terminologias adotadas hoje, mas acrescentar e simplificar o acompanhamento de pacientes em processo de controle de peso. 

A proposta apresentada pelos médicos no estudo, publicado na The National Center for Biotechnology Information, é que a obesidade de pacientes em acompanhamento clínico para redução de peso seja classificada em “reduzida” ou “controlada”. Um dos profissionais que participaram do estudo, o endocrinologista Marcio Mancini, aponta que as classificações sugeridas são baseadas no peso máximo do paciente. 

“Propomos uma nova classificação da obesidade baseada no peso máximo atingido em vida (MWAL), do inglês maximum weight attained in life. Nesta classificação, os indivíduos que perdem uma proporção específica de peso são classificados como tendo obesidade “reduzida” ou ‘controlada’”. 

Além da proposta, os médicos que participaram da pesquisa também apontam que uma perda de peso considerada modesta, a partir de 5%, durante o acompanhamento clínico já traz melhoras clínicas. O objetivo é que as pessoas com obesidade e os profissionais que as acompanham se concentrem na manutenção de peso em vez da redução. 

“A nova proposta se baseia no benefício que o paciente tem com a perda de peso. Então, ela coloca que, quando o paciente perde pelo menos 10% do peso, ele teria uma obesidade controlada. Então, vamos imaginar um paciente que teve o seu peso máximo em 100 kg. Se ele perder pelo menos 10 kg e passar para 90 kg, mesmo que ele ainda tenha excesso de peso, vai ter uma obesidade chamada de controlada, porque os estudos mostram que essa perda de pelo menos 10%, ela é factível. Ela é uma perda que é possível de ser conseguida com o tratamento clínico e ela vai levar a uma série de benefícios para a saúde.”

A SBEM-SP também afirma que, apesar de perdas a partir de 5% do peso já trazerem benefícios, as reduções entre 10% e 15% são mais benéficas. Segundo a publicação, a porcentagem de redução de peso como meta de tratamento é aceita, uma vez que uma maior diminuição do peso é geralmente mais difícil, tanto por fatores de adaptação do metabolismo de cada pessoa como por questões ambientais e de estilo de vida.

Obesidade no Brasil

De acordo com dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), mais da metade da população brasileira estava acima do peso, com 57% dos respondentes com sobrepeso. O índice subiu mais de 10 pontos percentuais desde o início da pesquisa, realizada anualmente desde 2006. Naquele ano, o índice foi de 43%. 

Um estudo publicado em março deste ano pela World Obesity Federation aponta que o número de pessoas obesas no mundo tende a aumentar. Apenas no Brasil, a previsão é de que a obesidade atinja 29,7% dos adultos brasileiros em 2030. O número equivale a cerca de 47 milhões de brasileiros.  

A psicóloga bariátrica Débora Gleiser, integrante do Grupo de Estudo das Cirurgias de Obesidade e Metabólicas (GECOM), em Porto Alegre (RS), aponta que essa classificação pode, sim, ajudar no tratamento de pacientes com sobrepeso e obesidade, mas ressalta que casos mais graves têm mais dificuldade em manter o peso estável, por se tratar de uma doença crônica. 

“Eles têm um histórico de vida de tratamentos e dietas onde eles emagrecem e engordam, emagrecem e engordam. Porque a obesidade é uma doença crônica. Uma pessoa que não tem uma obesidade severa, que precisa emagrecer, por exemplo, 10 kg, ela pode com certeza mudar os hábitos e emagrecer, se manter saudável, manter uma alimentação e o controle da compulsão ok”, afirma. 

Débora Gleiser também aponta que há, sim, muito preconceito em torno da obesidade e que esse preconceito pode vir também de profissionais de saúde. “Existe muito preconceito com a obesidade hoje em dia, a famosa gordofobia, e que não vem só do leigo. Que, infelizmente, às vezes vem até de profissionais da saúde. E eu culpo a falta de entendimento do todo da obesidade”, aponta ela.

A psicóloga, que lida especialmente com obesos em um grau mais grave, também conhecida como obesidade mórbida, recomenda um acompanhamento interdisciplinar do paciente. “A gente tem que tratar como doença, e a melhor forma de tratar esse tipo de doença é uma equipe onde tem cirurgião, psicólogo, nutricionista, anestesista, pneumologista, cardiologista, fisioterapeuta. Enfim, uma equipe em volta do paciente, porque ele demanda cuidado. Ele precisa de vários profissionais que trabalhem em uma equipe interdisciplinar para poder manter esse obeso, não vou dizer magro, porque não é isso que nos interessa, mas manter esse obeso saudável”, pontua. 

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